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Produção de proteína animal em laboratório: qual a aplicação em produtos alimentícios?

Atualizado: 25 de Set de 2019

De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050 a população mundial deve alcançar a marca de 9,7 bilhões de pessoas. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) aponta que o consumo de carne poderia ser duplicado neste ano devido a esse crescimento populacional, entretanto a atual cadeia de produção não seria suficiente para suprir essa demanda. Nesse sentido, buscam-se inovações na produção alimentícia capazes de solucionar essa questão, uma das alternativas foi o desenvolvimento de carnes artificiais.



Mas afinal, o que é uma carne artificial?



A produção da carne artificial, também conhecida como carne de laboratório, sintética ou in vitro, ocorre a partir de células estaminais, as quais são cultivadas em um meio adequado com nutrientes e fontes de energia. A técnica baseia-se na multiplicação das células retiradas de animais e na formação de novas fibras musculares a partir destas. Após o crescimento e amadurecimento essa cultura é misturada resultando em uma espécie de carne picada.


O primeiro hambúrguer e nugget desenvolvidos a partir de células:


Em 2013, o cientista holandês Mark Post desenvolveu o primeiro hambúrguer produzido em laboratório a partir de células-tronco de músculos de vacas. Para desenvolver seu produto arcou com um custo de 300 mil dólares, mas acredita que a produção em massa baixaria esse valor para 10 dólares por hambúrguer.


Cinco anos após essa inovação a JUST, empresa norte americana voltada à fabricação de alimentos, desenvolveu um nugget de frango fabricado a partir das células de uma pena de galinha. Foram necessários dois dias para essa produção e o resultado foi considerado surpreendente. Características como crocância, sabor e textura foram destacadas e comparadas à um nugget convencional.


Certo, mas e a carne bovina?


Atualmente, a pecuária responde por 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa ligadas à atividade humana, de acordo com a FAO. A carne bovina representa o maior emissor desse setor, que também ocupa a maioria das terras agrícolas, tanto para o pastoreio como para as culturas a serem usadas como ração. Logo, a produção de carne em laboratório também poderia ser uma alternativa para diminuir o impacto ambiental sobre o planeta.



Os desafios:


Destaca-se que essa inovação ainda é um desafio. São necessários mais estudos relacionados a transformação da escala laboratorial para a industrial, uma vez que serão requeridos meios de cultura para um rápido crescimento celular e biorreatores com alta capacidade de multiplicação de células. Além disso, especialistas apontam que haverá emissão de gases de efeito estufa nos laboratórios, visto que estes precisarão de uma alta demanda de eletricidade.


Essa última questão está dividindo opiniões. Conforme o relatório do Fórum Econômico Mundial acredita-se que à medida que os processos de fabricação amadureçam e a produção aumente, o fornecimento de energia renovável seria alavancado delimitando a produção nas cidades, o que aumentaria os benefícios ambientais da carne cultivada em laboratório. Em contrapartida, Carolyn Mattick, pesquisadora de Política de Ciência e Tecnologia da Associação Americana para o Avanço da Ciência, ressalta a grande incerteza em torno dos impactos ambientais dos processos de fabricação atuais e futuros.


Torna-se evidente que a população mundial enfrentará desafios nos próximos anos, principalmente em relação a alta demanda no setor alimentício e os cuidados com o meio ambiente. Dessa forma, observa-se uma incessante procura por soluções. Estudos apontam que essa inovação não irá alterar completamente os atuais hábitos alimentares, entretanto poderá acarretar em um processo de diversificação na alimentação humana. Tem interesse em desenvolver um produto inovador? Saiba como podemos te ajudar entrando em contato! Conheça também outros de nossos serviços.


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