• Gabriel Mesquita

Como os aspectos sensoriais das embalagens afetam o produto

Tão antiga quanto a necessidade de produzir alimentos, é a preocupação em preservá-los. Por milênios, as embalagens estavam relacionadas ao transporte e à preservação dos alimentos. Desde o uso de palhas e fibras vegetais para acomodar carnes animais até armazenar leite em jarros de cobre a fim de diminuir a atividade microbiana.

Em 1810, Napoleão Bonaparte ofereceu um prêmio de 12 mil francos a quem conseguisse desenvolver uma forma de aumentar a longevidade dos alimentos, a fim de transportá-los às tropas na linha de frente das batalhas. Nascia ali os alimentos em conserva - desenvolvidos pelo confeiteiro Nicolas Appert.


Com o passar do tempo e das revoluções industriais, as embalagens alimentícias deixaram de ser apenas uma forma de conservar melhor os alimentos, mas desenvolveram um papel fundamental em toda a experiência sensorial de consumi-los.

Seria possível os aspectos visuais de uma embalagem alterar a percepção de sabor do consumidor?

Charles Spence é um professor de psicologia experimental na Universidade de Oxford. Ele dirige o Crossmodal Research Lab, que estuda como o nosso cérebro integra os cinco sentidos a fim de obter uma percepção mais coerente da realidade. Comer é uma das atividades mais multissensoriais que temos. Há muito tempo, cientistas vêm afirmando que muito do que consideramos sabor é filtrado por nossos receptores olfativos, desempenhando um papel bem menor do que imaginamos.

Spence vai além, ele afirma que na maioria dos casos pelo menos metade de nossa experiência de consumo é determinada por sentidos ocultos como visão, som e textura. Spence verificou que mousses de morango tendem a parecer 10% mais doces se servidos em recipiente branco ao invés de preto; café possui um gosto quase duas vezes mais intenso e dois terços menos doce se servido em uma xícara branca ao invés de transparente; e se for adicionado cerca de 70 gramas no peso da embalagem de iogurte, ela tende a parecer até 25% mais cheia.




Refrigerante: lata vermelha x branca

Em 2011, uma marca de refrigerantes lançou uma campanha para arrecadar fundos para ursos-polares em extinção. Para tal, a marca lançou o produto com a lata em versão branca. Mesmo não mudando a fórmula do refrigerante, os clientes alegaram que o sabor havia sido alterado. Para demonstrar que a cor da embalagem influencia diretamente na percepção de doce no cliente, Spence conduziu um experimento servindo pipoca doce em tigelas de cores variadas. O resultado foi como o previsto, as pipocas servidas em tigelas vermelhas foram percebidas como as mais doces.


Batatas Chips e o som

Foi feito um experimento para saber quanto o som da batata influencia na percepção de crocância e sabor. Voluntários foram orientados a comer batatas chips enquanto usavam um fone de ouvido, eram feitas alterações no som de acordo com as mordidas sem os voluntários saberem.

Foi constatado que os voluntários consideravam mais saborosas as batatas que reproduziam um som maior e mais crocante, mesmo que as batatas consumidas fossem as mesmas. Essa associação entre som e sabor das batatas acontece até mesmo nas embalagens, que são focadas em fazer um barulho maior e mais seco quando abertas ou manipuladas.


Em seus diversos experimentos, Chales Spence constatou que as embalagens determinam papel fundamental na percepção de sabor tanto em comidas quanto em bebidas. As cores e disposições do design; a percepção de textura e peso da embalagem; até mesmo o som da embalagem ao ser manipulada.


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